O que fizemos até aqui foi um percurso no qual a razão não cessa de indagar a si mesma o que ela é, o que ela pode e vale, por que ela existe. As crises da razão são enfrentadas por ela, na medida em que são criadas por ela mesma em sua relação com a produção dos conhecimentos e com das condições históricas nas quais ela se realiza.
É verdade que tomar a razão pelo prisma de suas dificuldades e de seus impasses pode levar ao risco de cairmos na atitude cética, isto é, na posição dos que não acreditam que a razão seja capaz de conhecimentos verdadeiros. Isso, no entanto, só aconteceria se imaginássemos que a razão deveria ser imutável, intemporal e a-histórica e, portanto, algo que estaria em nós, mas que seria completamente diferente de nós, já que somos mutáveis, temporais e históricos. O cético é, afinal, aquele que, no fundo, deseja uma razão absoluta (metafísica) e por isso despreza a razão humana tal como ela existe.
Podemos dizer ainda que tomar a razão pelo prisma de suas dificuldades e de seus impasses, de suas conquistas e perdas é a melhor vacina que a Filosofia possui contra uma doença intelectual muito perigosa chamada dogmatismo.
Dogmatismo vem da palavra grega dogma, que significa: uma opinião estabelecida por decreto e ensinada como uma doutrina, sem contestação. Por ser uma opinião decretada ou uma doutrina inquestionada, um dogma é tomado como uma verdade que não pode ser contestada nem criticada, como acontece, por exemplo, na nossa vida cotidiana, quando, diante de uma pergunta ou de uma dúvida que apresentamos, nos respondem: “É assim porque é assim e porque tem que ser assim”. O dogmatismo é uma atitude autoritária e submissa. Autoritária, porque não admite dúvida, contestação e crítica. Submissa, porque se curva às opiniões estabelecidas.
As crises, as dificuldades e os impasses da razão mostram, assim, o oposto do dogmatismo. Indicam atitude reflexiva e crítica própria da racionalidade, destacando a importância fundamental da liberdade de pensamento para a própria razão e para a Filosofia.
V.V. BNegão e Os Seletores de Frequência (do disco “Enxugando Gelo”)
Bumerangue é o efeito, o que for daquela forma retorna com a mesma intensidade, de um modo perfeito/ daquele mesmo jeito/ ação e reação/ tipo João Bobo, tipo saco de boxe/ o famoso e laureado v.v. (vai e volta)/ tipo engravatado larápio que rouba muito, mas não vive sem escolta/ não é punição, não é castigo meu amigo/ não é maldição nem profecia, minha tia/ é só a lei/ desde os tempos em que os tempos não eram contados, já disse o rei dos reis
Preste atenção analise, não é difícil (tudo é vai e volta)/ ação, palavra, pensamento, atitude (tudo é vai e volta)/ metafisicamente, subatomicamente falando (tudo é vai e volta)/ tem responsa pra fazer, tem que ter responsa pra aturar (tudo é vai e volta)
“Faça com os outros apenas aquilo que gostaria que fizessem contigo”/ esse sábio e mais do que batido, antigo, dito popular/ base de quase todas as religiões/ bastante difundido, porém pouco praticado e seguido/ guarda em si um grande segredo, uma constatação: agressão ao próprio irmão é como dar um tiro no próprio pé (ou no próprio umbigo), eu digo/ pois por increça que parível, não há separação, não há inimigo/ e sim, ignorância aguda, falta de aprendizado, e só/ pois somos literalmente parte do mesmo organismo/ como já disse o cristo, a filosofia oriental, o tao, e a física quântica/ esse, o caminho pelo qual o racional cartesiano e o espiritual finalmente se encontram
Preste atenção analise, não é difícil (tudo é vai e volta)/ ação, palavra, pensamento, atitude (tudo é vai e volta)/ metafisicamente, subatomicamente falando (tudo é vai e volta)/ tem responsa pra fazer, tem que ter responsa pra aturar (tudo é vai e volta)/ lucro abissal, frescura é ligar pra detonação ambiental (tudo é vai e volta)/ seu pulmão no limite, inverno moderno beira os 40 graus (tudo é vai e volta)/ não divida o bolo e veja crescer à sua volta o caos (tudo é vai e volta)/ negatividade, positividade; o seletor é você (tudo é vai e volta)
MÍDIA, POLÍTICA E EDUCAÇÃO entrevista de Claudio Naranjo
ao CMI - Brasil -
junho, 2002
Dr. Claudio Naranjo, o Sr. poderia falar um pouco sobre a influência dos meios de comunicação na sociedade hoje?
Os meios de comunicação tem um grande potencial educativo, mas também um grande potencial corruptivo. A função predominante dos meios de comunicação é a manipulação. Assim como na vida individual existe a mentira, na vida social e política esta é indispensável para a estabilidade do sistema. As pessoas não tem idéia de quanto se está influindo nelas para que pensem de uma maneira e não de outra. Em todos os países, os meios de comunicação são propriedade dos que tem muito dinheiro. Este dinheiro vem das grandes empresas transnacionais, das grandes corporações. Há um império capitalista global cujo totalitarismo é maior do que os antigos governos fascistas. Tudo engenhosamente disfarçado. A situação mundial não melhora, os pobres ficam mais pobres, quando o mundo fica mais rico. A diferença entre pobres e ricos aumenta, todos ficam mais escravos do mercado de trabalho, tem menos tempo para crescer, para viver, para ser. Mas apesar disso, as pessoas estão muito contentes com a idéia do progresso, e tudo isso devemos aos meios de comunicação que convencem as pessoas de que ora tudo está bem, ora tudo está mal, e as distraem da realidade mantendo-as entretidas. Pode-se realizar muito através da educação e da comunicação, mas este potencial verdadeiramente transformador é utilizado apenas por iniciativas pequenas. Há que saber que rádio escutar, que programas assistir, que jornais e revistas ler para ter este tipo de comunicação positiva.
Como associar educação aos meios de comunicação?
Sinto que as pessoas não tem muita escolha. Quem trabalha hoje nos meios de comunicação apenas "consegue" um trabalho. Hoje em dia é um privilégio trabalhar, já que o desemprego aumenta em todo o mundo. Me pergunto se isto não é parte do plano do sistema - ter muitas pessoas desempregadas para que quando um não se adapte ao sistema, existam vários desejosos de ocupar seu lugar. Eu acredito no poder da consciência. Quando o poder da violência e do dinheiro passa a controlar tudo no mundo, a única esperança de mudança vem através da consciência. Mas como fazer se a publicidade e a comunicação dependem do dinheiro. Talvez pouco a pouco vamos descobrindo onde há "ar fresco", onde há uma comunicação verdadeiramente nutritiva. Imagino que a internet possa ser uma ajuda para obtermos essa comunicação e sabermos que rádio escutar, ou o que ler. Entretanto, os mesmos meios que servem para uma coisa servem para outras: a internet tem um grande potencial democrático mas também é o principal meio de vendas e negócios. E o sistema comercial no mundo é um grande problema. Muito do que antes se fazia domesticamente, agora se compra. Se tira mais e mais das pessoas sua própria capacidade de prover suas necessidades. Porque a estrutura da comunicação de massa é sustentada pelos provedores já estabelecidos.
Eu trabalho com saúde mental, sou médico e terapeuta, mas tenho muita experiência com o sistema profissional, o "grêmio" dos terapeutas, que tira da gente as possibilidades de trabalhar entre as pessoas. Há muito que as pessoas podem fazer aprendendo a trabalhar em si mesmas, os grupos podem progredir para a ajuda mútua, e parte do meu trabalho é ensinar esta multiplicação do conhecimento terapêutico, mas a psicanálise diz que somente os analistas podem ajudar as pessoas a se auto-analisar. Desta forma, tira-se a confiança de que cada um pode realizar o trabalho, para torná-lo dependente. E isto acontece em tudo. Antes as pessoas construíam suas próprias casas, e hoje, mais e mais as pessoas devem comprar suas casas de empresas. Quem quer construir independentemente tem toda sorte de dificuldades em conseguir as permissões. Não é bom para os negócios que as pessoas em geral desenvolvam seu potencial em construir. Assim com tudo.
Como seria a construção de um mundo com mais consciência e cidadania?
Tem que começar pela consciência, pelos indivíduos, pela vida orgânica. É problemático planejar um substituto para a vida que vivemos, mas o sistema vai colapsar. Em períodos assim, ou transformamos ou terminamos. Através de toda a história moderna se investiu no progresso sem privilegiar o desenvolvimento interior. Agora não há alternativa. As pessoas estão muito subdesenvolvidas. Recebemos somente uma educação intelectual, uma instrução, que serve para passar nos exames, e não para a vida. A única forma massiva de realizar este desenvolvimento humano é a educação. A religião é somente para as pessoas com vocação, a terapia é para as pessoas que sofrem (a maioria não sofre, se adapta). Se queremos um mundo novo temos que realizar uma educação massiva de seres plenos nos aspectos intelectual, emocional e instintivo.
É muito importante uma educação do amor, da capacidade em se desenvolver relacionamentos sadios. E também o cérebro instintivo está muito perturbado porque a civilização é anti-instintiva, contrária a liberdade e a espontaneidade, o que se reflete em domínio e exploração da natureza. Esta agressão à natureza acontece interiormente também - as pessoas exploram a si mesmas como instrumentos de trabalho, e deixam de se cultivar, não amam a si mesmos. A reintegração do ser humano é indispensável para a felicidade. Não é natural que uma geração inteira esteja aqui para sofrer, para sentir-se insatisfeita com a vida. Isto cria necessidades artificiais, e convém ao mercado porque estas insatisfações são canalizadas pelo sistema que anuncia: "vou vender-te isto, que lhe trará a felicidade". E isto não é verdade. Precisamos recuperar nossa capacidade interior de estarmos contentes conosco, e então precisamos muito pouco do mundo exterior. A alimentação básica e um teto basta.
Dr. CLAUDIO NARANJO realizou estudos de medicina, música e filosofia no Chile. Foi professor de psicologia da arte e psiquiatria social. Foi diretor do Centro de Estudos de Antropologia Médica. Nos Estados Unidos, foi um dos integrantes do Instituto Esalen, chegando a ser um dos sucessores diretos de Fritz Perls (criador da terapia Gestalt). É considerado um dos pioneiros da Psicologia Transpessoal e um integrador da psicoterapia com a espiritualidade. É fundador do Instituto SAT - Seeker Afther Truth, uma escola psico-espiritual dedicada principalmente à formação integral de psicoterapeutas na Europa e América. O programa SAT, aplicado à educação facilita o fator amoroso na educação do coração, priorizando o amor no contexto da prática, da informação e dos conteúdos.